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Adoção de IA nas imobiliárias: por que os números divergem

Duas pesquisas apontam níveis diferentes de adoção de inteligência artificial no mercado imobiliário brasileiro. A diferença está no que cada uma considera uso de IA.

Keyspot6 min de leitura
Pesquisas sobre IA nas imobiliárias chegam a percentuais diferentes porque medem níveis distintos de uso

Quantas imobiliárias brasileiras usam inteligência artificial de fato? A resposta depende do que se entende por usar a tecnologia. Duas pesquisas recentes chegaram a percentuais diferentes, e a divergência ajuda a separar experimentação, automação pontual e uso integrado à operação.

Uma pesquisa divulgada no Morada Summit 2026 aponta que 56,5% das empresas do setor imobiliário já adotaram inteligência artificial de alguma forma. Já um levantamento do Grupo OLX indica que apenas 20% das imobiliárias brasileiras usam IA em alguma etapa.

Adoção de inteligência artificial no setor imobiliário
Empresas que adotaram IA de alguma forma, segundo o Morada Summit 2026
56,5%
Imobiliárias que usam IA em alguma etapa, segundo o Grupo OLX
20%

Fonte: Pesquisa apresentada no Morada Summit 2026 e levantamento do Grupo OLX

Os números não devem ser lidos como uma disputa para definir qual pesquisa está certa. Eles observam recortes diferentes de um mesmo fenômeno: uma empresa pode ter testado IA para escrever descrições de imóveis e, ainda assim, não usar a tecnologia no atendimento, na gestão de leads ou na recomendação de imóveis.

O que os números mostram sobre a adoção de IA

A pesquisa apresentada no Morada Summit 2026 usa uma definição mais ampla de adoção. Nesse recorte, entram empresas que incorporaram a tecnologia de alguma forma, mesmo que em uma atividade específica ou ainda em uma fase inicial de teste. Por isso, o índice de 56,5% descreve a presença da IA no setor, não necessariamente uma operação imobiliária conduzida por automações em várias áreas.

Adoção ampla inclui testes e ferramentas isoladas, além de usos já incorporados à rotina imobiliária

O dado de 20%, divulgado pelo Grupo OLX, parte de outro enquadramento: considera as imobiliárias que usam inteligência artificial em alguma etapa da operação. A formulação aproxima o dado do uso efetivo em processos, como atendimento, captação, organização de informações ou relacionamento com leads. O percentual menor sugere que a adoção operacional é mais restrita do que a simples experimentação.

As duas pesquisas medem coisas diferentes

A expressão “usar inteligência artificial” pode incluir atividades com níveis muito diferentes de impacto na rotina. Uma pesquisa pode contabilizar qualquer adoção, enquanto outra pode considerar apenas o uso dentro de uma etapa identificável do processo comercial. A comparação abaixo resume essa diferença de leitura.

Assim, os percentuais podem coexistir. Uma imobiliária que usa uma ferramenta para redigir anúncios pode aparecer no universo mais amplo da primeira pesquisa, mas talvez não seja classificada da mesma maneira em um levantamento interessado em aplicações dentro da operação. A diferença está menos na existência da tecnologia e mais no grau de integração considerado.

Do texto do anúncio ao atendimento do lead

Os exemplos ajudam a entender por que a palavra adoção precisa ser qualificada. A IA pode ser usada para apoiar a escrita de uma descrição de imóvel, resumir informações, organizar uma tarefa ou sugerir uma resposta. Nesses casos, a tecnologia participa de uma atividade, mas não necessariamente acompanha a jornada completa do visitante até o corretor.

Em um nível mais conectado à operação, a inteligência artificial conversa com o visitante, entende preferências e recomenda imóveis com base no catálogo disponível. É esse tipo de aplicação que aproxima a tecnologia da geração e da qualificação de oportunidades. No produto da Keyspot, o Abajour é o assistente de inteligência artificial no site, com essa função de conversar com o visitante e recomendar imóveis.

CritérioUso pontualUso assistidoUso operacional
AplicaçãoEscrever ou revisar descriçõesOrganizar informações e respostasAtender visitantes e recomendar imóveis
Relação com operaçãoTarefa isolada da rotinaApoio ao trabalho da equipeConexão com atendimento e catálogo
Nível de integraçãoSem conexão com outros dadosApoio parcial ao processoEntendimento de preferências e contexto
  • Uso pontual: apoio para escrever ou revisar descrições de imóveis.
  • Uso assistido: organização de informações e apoio a respostas do time.
  • Uso operacional: atendimento do visitante, entendimento da demanda e recomendação de imóveis.
  • Uso integrado: registro da jornada, encaminhamento do lead e continuidade no processo comercial.

A diferença entre testar e incorporar à gestão

A adoção também muda de significado quando a IA está conectada aos dados da imobiliária. Uma ferramenta isolada pode ajudar em uma tarefa, mas não resolve sozinha a passagem de contexto entre site, atendimento e equipe comercial. Para o gestor, a pergunta deixa de ser apenas se a empresa usa IA e passa a ser onde ela entra, qual informação recebe e o que acontece depois da interação.

IA integrada conecta dados dos imóveis, atendimento e acompanhamento dos leads no mesmo processo operacional

Nesse ponto, o CRM precisa registrar a origem e o andamento do contato, em vez de deixar a conversa separada do restante da operação. A gestão de leads com CRM e funil de vendas permite acompanhar a jornada e dar ao corretor contexto para continuar o atendimento. Esse é um critério mais exigente do que simplesmente ter experimentado uma ferramenta de IA.

O tema se conecta à discussão sobre o momento certo de transferir a conversa para uma pessoa. A matéria IA no atendimento imobiliário, quando chamar o corretor trata justamente dessa passagem entre a resposta automatizada e a atuação do corretor, sem transformar a IA em substituta do atendimento humano.

Como interpretar a adoção sem distorcer os dados

Para um dono de imobiliária ou gestor de marketing, os dois percentuais funcionam como sinais diferentes. O índice de 56,5% mostra que a tecnologia já entrou no radar de uma parcela ampla das empresas do setor. O dado de 20% indica que o uso em etapas da operação ainda alcança uma parcela menor das imobiliárias brasileiras, conforme o levantamento do Grupo OLX.

A avaliação interna precisa começar pelo processo, não pela ferramenta. Vale identificar se o problema está na descoberta dos imóveis, na qualidade das informações, no primeiro contato ou na continuidade do lead. Quando a questão é ajudar o visitante a encontrar opções, uma busca de imóveis com filtros e ordenação cria uma base mais clara para qualquer camada de inteligência trabalhar.

Também é preciso observar se o catálogo está atualizado, se os dados dos imóveis são consistentes e se a equipe consegue assumir o contato quando necessário. Sem esse encadeamento, a IA pode existir no site ou em uma ferramenta de apoio, mas seu uso permanece pontual. Com ele, a empresa consegue distinguir uma experiência isolada de uma aplicação que participa da jornada comercial.

Afinal, quantas imobiliárias brasileiras já usam inteligência artificial? Pelos dados disponíveis, 56,5% das empresas do setor adotaram a tecnologia de alguma forma, enquanto 20% das imobiliárias usam IA em alguma etapa, segundo o Grupo OLX. A resposta mais precisa é que a adoção já é relevante, mas seu grau de integração varia bastante, e a divergência entre as pesquisas revela exatamente essa diferença.

Perguntas frequentes

Qual é o percentual de imobiliárias brasileiras que usa inteligência artificial?

Os levantamentos citados apontam dois percentuais: 56,5% das empresas do setor adotaram IA de alguma forma, segundo pesquisa apresentada no Morada Summit 2026, e 20% usam a tecnologia em alguma etapa da operação, conforme o Grupo OLX. A diferença está no critério usado para definir adoção.

Por que as pesquisas sobre uso de IA em imobiliárias apresentam resultados diferentes?

As pesquisas consideram níveis distintos de utilização da tecnologia. Uma pode incluir testes e aplicações isoladas, enquanto outra observa o uso em processos identificáveis da operação, como atendimento, organização de informações ou relacionamento com leads.

Usar IA para escrever anúncios significa que a imobiliária já tem uma operação automatizada?

Não necessariamente. A ferramenta pode estar restrita à produção ou revisão de descrições, sem participar do atendimento, da qualificação de oportunidades ou do encaminhamento para a equipe comercial.

Como saber se a inteligência artificial está integrada à operação de uma imobiliária?

É preciso observar se a IA se conecta aos dados dos imóveis, ao atendimento e ao acompanhamento dos leads. A integração fica mais evidente quando a jornada do visitante é registrada e o corretor recebe contexto para dar continuidade ao contato.

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